Desvendando os Desafios do Egito: Guia Essencial para Evitar Golpes em Cairo e Gizé

Tempo de leitura: 7 min

Escrito por Lucas Ventura
em junho 14, 2025

Desvendando os Desafios do Egito: Guia Essencial para Evitar Golpes em Cairo e Gizé

Desvendando os Desafios do Egito: Guia Essencial para Evitar Golpes em Cairo e Gizé

Recentemente, passamos 15 dias imersos na fascinante cultura do Egito, uma experiência verdadeiramente incrível que, no entanto, não veio sem seus desafios.

Nossa jornada se concentrou principalmente em Cairo e Gizé, lar das icônicas pirâmides, onde identificamos a maioria dos golpes.

É importante ressaltar que não pretendemos generalizar o Egito, um país com muito a oferecer além desses contratempos.

Nosso objetivo é compartilhar aprendizados para que sua viagem seja tão gratificante quanto possível.

Nos tornamos, por assim dizer, “mestres em sermos enganados”.

Perdemos uma quantia considerável de dinheiro, e é por isso que reunimos estas informações valiosas para ajudar outros viajantes.

Normalmente, quando alguém tenta vender algo a você, o conselho é simples: diga “não” e continue andando.

Mas no Egito, especialmente em Cairo e Gizé, a realidade é outra. Eles não aceitam um “não” como resposta.

Pessoas incrivelmente persistentes nos seguiriam, nos abordariam repetidamente, e isso não acontecia apenas uma vez, mas a cada poucos passos.

Era exaustivo, a ponto de poder arruinar o tempo que tínhamos com as pirâmides. Acabamos nos acostumando, e em alguns momentos, agíamos como se não falássemos inglês.

Mas vamos detalhar alguns dos episódios mais marcantes.

As Primeiras Abordagens nas Pirâmides: Cuidado com os “Guias Governamentais”

Nossa primeira visita às pirâmides, logo no primeiro dia, nos deu uma prévia do que estava por vir.

Muitos homens no local exibiam crachás, insistindo “não sou guia turístico, trabalho para o governo”.

Eles tentam ser amigáveis, mas você percebe a intenção. Em seguida, oferecem-se para tirar fotos suas com seu próprio celular, e depois, invariavelmente, pedem uma gorjeta, muitas vezes exorbitante.

Poucos passos depois, fomos abordados por um homem a cavalo, nos convidando para um passeio. Recusamos, mas ele nos seguiu, persistindo e provocando.

Um de nós, que tende a ser mais cordial com os locais, acreditou que se mostrasse amigável, o homem nos deixaria em paz.

A situação ficou tensa quando o homem se ofereceu para tirar uma foto, insistindo que um de nós usasse seu turbante. Ele pegou nosso celular e tirou a foto.

Imediatamente após, a atitude mudou: de sorrisos para uma cobrança insistente de dinheiro para “alimentar os cavalos”.

Um de nós lhe ofereceu uma pequena quantia em libras egípcias, que foi categoricamente recusada.

Aprender a dizer “Halas, Halas!” (Basta, Basta!) em árabe é uma ferramenta poderosa, fazendo com que recuem, surpresos por você conhecer a língua.

Essa palavra, que aprendemos mais tarde, pode ser um verdadeiro escudo.

Essa é apenas uma amostra; os incidentes acontecem a cada cinco passos.

A verdade é que o Egito, especificamente Cairo e Gizé, é um dos lugares mais exaustivos do mundo para se viajar.

Há sempre alguém tentando te vender algo, te empurrar para um passeio ou te fazer andar de camelo.

A Questão Ética dos Passeios de Camelo e Cavalo

Falando em camelos, é crucial mencionar que somos contra o uso de animais para fins turísticos.

Em Cairo e Gizé, é comum ver pessoas chicoteando cavalos e camelos.

Os camelos, em particular, frequentemente emitem sons de dor, relutantes em se levantar porque seus corpos sofrem. É uma cena realmente triste.

Muitos desses animais, até mesmo em Luxor, mostram costelas visíveis devido à má nutrição.

É frustrante ver os golpistas ganharem tanto dinheiro enquanto os animais são negligenciados.

O “Guarda de Segurança” Amigável da Pirâmide

Outro golpe notável nas pirâmides envolveu um segurança. Um homem, com ar bastante oficial, nos convidou a escalar a pirâmide.

Como viajantes conscientes, sabemos que escalar as pirâmides não é recomendado, pois contribui para sua deterioração.

Não tínhamos certeza se era ilegal, mas vimos outros o fazendo. Ele nos encorajou e um de nós registrou o momento.

Ao descermos e nos afastarmos, o guarda pediu uma gorjeta.

Fica claro: qualquer “ajuda” ou sugestão que eles ofereçam tem como objetivo final arrancar seu dinheiro.

Uma Dica de Ouro: Viaje com Guias Locais

Uma observação importante: se você estiver acompanhado de um guia turístico credenciado ou de amigos locais, a maioria desses problemas simplesmente não acontecerá.

Durante os dias em que estivemos com nossos amigos egípcios ou com um guia, ninguém nos incomodou.

Tenha em mente que, em Cairo e Gizé, virtualmente todas as pessoas que se aproximam de você querem seu dinheiro.

Mesmo que pareçam extremamente simpáticos, o objetivo final é financeiro. Existem guias excelentes, mas pesquise e contrate antecipadamente para evitar ser enganado.

O Assédio Verbal e Comentários Inusitados

Prepare-se para o assédio verbal. Mesmo vestidos discretamente, é comum receber apelidos persistentes ou comentários sobre a aparência.

Um de nós ouviu repetidamente, por exemplo, o “elogio” de ser um “homem de sorte” em diferentes contextos.

Mais preocupante, houve tentativas bizarras de “negociação” por parte de vendedores, que chegavam a oferecer camelos em troca de um dos membros de nosso grupo, algo que consideramos profundamente desrespeitoso e desconfortável, ainda que alguns tentem disfarçar com humor.

Equipamentos de Áudio e Vídeo: Cuidado com as Restrições

Outro ponto a considerar são as restrições a equipamentos de áudio e vídeo.

Cairo parece ter uma aversão a “jornalistas” ou qualquer pessoa filmando. Drones são proibidos.

Tripés são um problema constante; eles podem impedir sua entrada em museus e outros locais.

Até mesmo um pequeno microfone de lapela pode ser considerado “o inimigo”.

Em uma visita à Mesquita de Muhammad Ali, um lugar muito turístico, um segurança, ao encontrar um pequeno microfone em nossa bolsa, reagiu como se tivesse descoberto um objeto demoníaco.

Prepare-se para explicações e possíveis proibições se você carrega equipamentos de áudio.

Pontos de Segurança e o “Golpe da Ajuda”

Não é um golpe, mas sim uma realidade: prepare-se para passar por inúmeros pontos de controle de segurança.

Em aeroportos, locais turísticos e museus, você e sua bagagem serão revistados várias vezes.

Em um dos aeroportos, passamos por três a quatro checagens, e a bolsa da câmera sempre gerava atenção extra.

Um golpe clássico em Cairo ocorre nas ruas movimentadas.

Ao tentar atravessar, alguém pode te abordar, dizendo “espera, não atravessa!”, oferecendo-se para ajudar no trânsito caótico.

Você agradece, pensa que foi uma gentileza. Mas a “ajuda” logo se transforma em uma tentativa de te convencer que você não pode ir sozinho a um museu ou a um ponto turístico e que precisa contratar um “guia” imediatamente.

Quando tentamos voltar, um sujeito diferente, com o mesmo discurso, tentou nos parar para “ajudar” a atravessar uma rua que não tinha trânsito algum.

É preciso ter “casca grossa”, ignorar e seguir em frente. Essas pessoas não se importam com seus sentimentos, apenas com seu dinheiro.

Transporte: A Escolha Inteligente é o Uber

Em Gizé, um taxista se recusou a nos deixar sair do carro em nosso destino, visando nos manter por mais tempo para cobrar um valor exorbitante.

Eles podem tentar te levar na direção errada ou cobrar tarifas astronômicas.

Nossa grande dica: use Uber sempre que possível, especialmente em Cairo e Gizé. O serviço está disponível e é muito mais seguro e transparente.

A Armadilha da Conta no Cruzeiro do Nilo

Em um famoso cruzeiro pelo Nilo, que oferece buffet e dançarinos, a diversão pode vir com uma surpresa desagradável.

O álcool é extremamente caro, e após apenas algumas bebidas, tentaram nos cobrar um valor 15 a 20 vezes maior do que o consumido.

Aparentemente, eles contam com o relaxamento dos clientes sob o efeito do álcool para não checarem a conta.

Golpes no Aeroporto: De “Ajuda” à Extorsão

Os golpes não param nem no aeroporto.

Ao perceberem um de nós correndo para não perder o voo, um funcionário se ofereceu para “ajudar”, mas rapidamente deixou claro que a “ajuda” viria com uma taxa, pedindo uma gorjeta.

É fundamental distinguir entre um vendedor e alguém que cria um problema inexistente para depois oferecer uma solução paga.

Em outro incidente, que se tornou mais sério, um funcionário nos seguiu para um corredor isolado, enfiou a mão na carteira de um de nós e tirou 200 libras egípcias.

Um de nós reagiu com veemência, recusando-se a pagar por algo que não havia solicitado.

O funcionário, nervoso, devolveu o dinheiro, mas continuou a nos incomodar com gestos insinuantes até o momento do embarque.

A história mais chocante que ouvimos veio de um amigo.

Em um aeroporto egípcio, ele estava colocando seus pertences na esteira quando o funcionário pegou seu passaporte e pediu uma gorjeta.

Ele se sentiu obrigado a dar a gorjeta, pois o funcionário manteve seu passaporte como “refém” até receber o dinheiro.

Esteja Preparado, Espalhe a Palavra

Estes são apenas alguns exemplos. Ao pesquisar na internet, você encontrará inúmeros relatos de golpes no Egito.

É essencial que os viajantes estejam cientes dessas situações.

O Egito é um país incrível, com uma história e cultura fascinantes, e mal podemos esperar para explorar e compartilhar mais sobre outros lugares que visitamos.

Ao conhecer os “roteiros” desses golpistas, você pode até mesmo transformar a situação em um jogo, prevendo as abordagens e se divertindo ao contorná-las.

A conscientização é a chave para uma experiência mais tranquila e prazerosa.

Compartilhe suas histórias e dicas para ajudar outros viajantes a desfrutar plenamente do Egito!

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