Etiópia: Roteiro Inesquecível Pelas Maravilhas da África Oriental e sua Cultura Única

Tempo de leitura: 11 min

Escrito por Lucas Ventura
em julho 11, 2025

Etiópia: Roteiro Inesquecível Pelas Maravilhas da África Oriental e sua Cultura Única

Etiópia: Uma Jornada Inesquecível Pelas Maravilhas da África Oriental

Recentemente, tive o privilégio de retornar de uma jornada intensa e reveladora pela Etiópia, um país que me deixou completamente fascinado.

Localizado na África Oriental, este é um dos lugares mais intrigantes do planeta.

Sendo o país encravado mais populoso do mundo e um dos poucos na África que nunca foi colonizado pela Europa, a Etiópia ostenta uma cultura, idioma e culinária absolutamente únicas.

Das igrejas esculpidas nas montanhas de Gheralta às tribos ancestrais do Vale do Omo, há uma infinidade de experiências a serem descobertas.

Compartilho aqui meu roteiro e os lugares que mais me marcaram nesta aventura etíope.

Minha exploração começou na capital, Adis Abeba, onde fomos recebidos pelo nosso guia Nagasi.

Dali, partimos para a primeira e uma das mais impressionantes paradas: a Depressão de Danakil.

1. A Depressão de Danakil: O Coração Ardente da Etiópia

Situada no nordeste do país, a Depressão de Danakil é reconhecida como um dos lugares mais quentes da Terra, com temperaturas que podem ultrapassar os 50°C no verão.

Em fevereiro, pegamos o final do inverno, mas o termômetro ainda batia nos 38°C.

Aqui, esqueça hotéis luxuosos ou qualquer conveniência moderna; é você, seus guias e o que o carro puder carregar.

Planejamos três dias para essa expedição, e confesso que a apreensão se misturava à excitação de desbravar esse canto tão inóspito do mundo.

Após cerca de nove horas de carro de Adis Abeba até Samara, no dia seguinte seguimos para o que é talvez o local mais famoso da região: o Vulcão Erta Ale.

O Vulcão Erta Ale: O Fervor da Terra

Este lugar é simplesmente surreal. O Vulcão Erta Ale é o mais ativo da Etiópia, e sua paisagem está em constante transformação devido ao fluxo de lava.

Chegamos ao acampamento na base e, de lá, subimos até a cratera – uma caminhada de uns 20 minutos.

Ao alcançar a borda, a visão era inacreditável: uma imensa bacia de lava preta endurecida, cuja escala é difícil de dimensionar.

Decidimos caminhar sobre o vulcão, um pouco apreensivos, pois poucas semanas antes houve uma erupção, e toda aquela rocha escura já foi lava derretida.

Nosso guia liderava, verificando a estabilidade da superfície.

Embora o famoso lago de lava não estivesse visível, a cada passo sentíamos o calor vindo do subsolo, imaginando a lava fluindo sob nós.

Continuamos até um dos vulcões principais, onde era possível ver um pouco de lava, embora os gases vulcânicos dificultassem a aproximação.

Passamos a noite ali e, na manhã seguinte, subimos novamente para assistir ao nascer do sol.

Foi um espetáculo épico, com o sol surgindo através do vapor vulcânico.

Meu amigo Ellis, que me acompanhava na aventura, capturou imagens aéreas incríveis com seu drone, incluindo um local que nos ajudou, caminhando sobre a lava, criando um contraste visual impressionante.

O Lago Salgado de Danakil: Um Espelho no Deserto

Após cerca de quatro horas de carro, através de paisagens desoladas, porém deslumbrantes (com o ar-condicionado do carro como nosso único conforto), chegamos ao Lago Salgado de Danakil.

É uma vasta extensão de água com uma costa de sal seco.

Há um ponto peculiar chamado “piscina” de Esca Alowl, uma pequena abertura onde a água permite flutuar sem esforço.

É impressionante pensar que sob toda aquela crosta de sal, há um lago imenso, o que exige cautela ao dirigir.

Perto do pôr do sol, fomos até as margens para filmar os camelos que os povos Afar locais usam para transportar o sal que colhem.

As imagens dos camelos caminhando com o sol se pondo ao fundo, quase um reflexo perfeito, foram memoráveis.

Naquela noite, dormimos em Ahmed Ella, em camas de campanha ao ar livre, surpreendentemente confortáveis.

Acordamos às 5h da manhã para filmar os camelos novamente ao nascer do sol, e o espetáculo foi ainda mais grandioso.

O sol surgiu por trás do lago, pintando o céu de rosa e criando uma silhueta perfeita dos camelos.

Foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes da viagem.

Dallol: As Paisagens Tóxicas e Multicores

Em seguida, partimos para Dallol, um dos lugares mais tóxicos e inóspitos da Terra.

Localizado a 130 metros abaixo do nível do mar, era o ponto que mais desejava visitar em Danakil.

Apenas 15 minutos de carro nos levaram até lá, mas era crucial chegar antes que o calor se tornasse insuportável.

Uma curta, mas exaustiva, caminhada nos levou às famosas Silver Springs.

A água é incrivelmente bela, mas extremamente perigosa; o ácido sulfúrico pode, literalmente, corroer a pele em caso de queda.

Mas a paisagem… A paisagem é indescritível.

As piscinas sulfúricas exibem um arco-íris de cores: amarelo, branco, vermelho e laranja, especialmente deslumbrantes vistas de cima.

Havia também fendas vulcânicas expelindo vapor e outras formações geológicas impressionantes.

Este lugar já foi uma cidade de mineração de enxofre e detém o recorde mundial da maior temperatura média para um local habitado.

É difícil imaginar viver aqui, ainda mais sem ar-condicionado.

Pudemos ficar apenas uma hora devido ao calor extremo.

Na borda de Dallol, encontramos outro lugar fascinante: as Montanhas de Sal.

São formações rochosas bizarras, esculpidas em sal.

Havia uma surpreendente quantidade de pássaros, mas nosso guia explicou que eles estão fadados a morrer, pois vêm em busca de água e encontram apenas as piscinas tóxicas.

É um lugar verdadeiramente inóspito.

Após três dias explorando a Depressão de Danakil, era hora de partir.

Não foi a viagem mais fácil ou confortável, mas, sem dúvida, foi um dos destinos mais inesquecíveis que já visitei.

2. As Igrejas nas Montanhas de Gheralta: Santuários no Céu

Nosso próximo destino foram as igrejas nas montanhas de Gheralta, na região de Tigré.

Dirigimos cerca de sete horas de Danakil até lá.

A elevada altitude resultou em temperaturas muito mais amenas, uma grata mudança.

A primeira igreja que visitamos foi o Mosteiro Mariam Korkor.

Iniciamos a subida por volta das 5h da manhã, acompanhados por um monge local.

A caminhada levou cerca de uma hora, e esperamos pelo nascer do sol.

Quando o sol despontou no horizonte, iluminou a montanha com tons de laranja e rosa.

Nosso principal objetivo era filmar os monges, e conseguimos registros visuais épicos deles caminhando pelas encostas dos penhascos.

Creio que estão entre as imagens mais impactantes que capturamos em nossa jornada pela Etiópia.

Após filmar os monges, decidi explorar um pouco mais, escalando algumas rochas até um pico que oferecia uma vista insana da área – as montanhas de Gheralta são espetaculares.

Depois de registrar o cotidiano dos monges e obter mais imagens incríveis, ficamos algumas horas e descemos antes que o sol se tornasse muito forte.

Mais tarde naquele dia, fomos para Abuna Yemata Guh, uma das igrejas mais famosas da região e, talvez, do país.

Abuna Yemata Guh: A Igreja nas Nuvens

Conhecida como a “igreja no céu”, Abuna Yemata Guh é uma das igrejas mais incríveis e inacessíveis do mundo.

Construída a uma altitude de 2.580 metros na lateral de um penhasco, a caminhada até lá não foi tão difícil, durando cerca de 45 minutos.

A parte desafiadora é uma seção de escalada em rocha, onde você tira os sapatos e é auxiliado pelos guias.

Ao chegarmos ao topo, um monge nos esperava.

Ele percorreu um caminho estreito e perigoso, com um abismo de um lado e sem cordas ou apoios.

Após a travessia, entramos na famosa igreja.

Segundo a lenda, foi fundada no século VI d.C.

Fiquei impressionado com o fato de ter sido escavada diretamente na montanha.

O teto e as paredes exibem belas pinturas dos doze apóstolos e dos nove santos, que se acredita datarem de pelo menos 500 anos.

Foi fascinante observar o monge lendo a Bíblia lá dentro.

Capturamos imagens aéreas deslumbrantes da igreja e dos monges na montanha.

A escuridão chegou rapidamente, e tivemos que escalar as rochas de volta no escuro, o que adicionou um toque de aventura.

No dia seguinte, retornamos, mas desta vez montamos nossa base na parte inferior da montanha para mais filmagens com drones.

Meu amigo Ellis conseguiu registros visuais impressionantes do monge com o drone FPV.

Foi uma experiência inesquecível registrar este lugar tão especial na Etiópia.

3. As Montanhas Simien: Picos Únicos e Vida Selvagem

Em seguida, nos dirigiríamos às Montanhas Simien, no norte da Etiópia.

Este é o lar do ponto mais alto do país, com 4.550 metros de altitude, e um dos poucos locais na Etiópia que recebe neve.

As formas peculiares das montanhas as tornam algumas das mais únicas da África.

Infelizmente, devido a imprevistos logísticos na região, não pudemos visitar as montanhas.

No entanto, é um lugar notável pela sua vida selvagem, especialmente o babuíno-gelada, ou “macaco de coração sangrento”, que só pode ser encontrado nas terras altas da Etiópia.

Eles frequentemente se aproximam, pastando tranquilamente.

As Montanhas Simien são, sem dúvida, uma parte fascinante da África.

4. Lalibela: A Jerusalém da África

Depois, seguimos para Lalibela, na região de Amhara.

Lalibela é outro dos lugares mais singulares e famosos da Etiópia, considerada uma das cidades mais sagradas do país e um importante centro de peregrinação.

A Etiópia foi um dos primeiros lugares a adotar o cristianismo, já no século IV d.C.

A joia da coroa de Lalibela é a Igreja de São Jorge, uma das onze igrejas monolíticas da cidade, esculpida em rocha vulcânica e com mais de 12 metros de altura.

Acredita-se que tenha sido concluída no início do século XIII.

As igrejas da Etiópia são verdadeiramente algo de outro nível.

5. Harar: A Cidade Murada e as Hienas Noturnas

Nossa próxima parada foi Harar, na parte oriental da Etiópia.

Harar é uma cidade antiga, com assentamentos que datam de pelo menos mil anos, e a religião predominante na região é o Islã, o que a torna única em um país majoritariamente cristão.

Adorei como Harar está localizada em uma colina e cercada por uma antiga muralha.

Uma atração popular de Harar são as hienas.

Há um homem local que as “domesticou” e as alimenta todas as noites, proporcionando uma experiência única para os visitantes.

6. Dorze: Cultura e Tradições nas Montanhas

Em seguida, nos dirigimos a Dorze, nas Terras Altas de Gammo, a cerca de uma hora de Arba Minch.

Dorze é uma pequena aldeia aninhada nas montanhas, lar de uma tribo fascinante.

Fizemos um tour pela aldeia, visitando suas tradicionais e impressionantes cabanas.

Os moradores nos mostraram como fazem uma massa fermentada a partir das folhas da planta de “banana falsa” e nos presentearam com uma dança tribal.

Foi incrível presenciar sua cultura tão rica.

Se estiver em Arba Minch, vale muito a pena a visita.

7. Vale do Omo: O Berço da Diversidade Tribal

Para nosso destino final, fomos para o Vale do Omo, no sul da Etiópia, perto da fronteira com o Quênia e o Sudão do Sul.

O Vale do Omo é um dos lugares mais famosos do país, principalmente pela sua incrível diversidade de tribos locais, cada uma com culturas e tradições muito singulares.

Para chegar lá, voamos de Adis Abeba para a cidade de Jinka e de lá seguimos de carro para as aldeias.

Tribo Karo: A Arte da Pintura Corporal

Uma das tribos que visitamos foi a Karo, uma das menores do país, com apenas alguns milhares de membros.

Eles são famosos por suas pinturas corporais brancas.

Para vê-los, dirigimos até sua aldeia, situada em uma colina com vista para o Rio Omo.

Passamos um tempo com eles, pessoas fascinantes, e até pintaram meu amigo Ellis.

Tribo Hamer: Estilo e Rituais

Outra tribo renomada é a Hamer.

São pessoas de beleza marcante, com cabelos muito distintos, estilizados com argila vermelha.

Eles também têm a famosa cerimônia de salto de touro, que não pudemos filmar.

Visitamos uma de suas aldeias e passamos o pôr do sol com eles, observando seu modo de vida local.

Os “Stick Boys” da Tribo Bana: Guardiões Altivos

Mas minhas pessoas favoritas no Vale do Omo foram os “Stick Boys“, jovens e adolescentes da tribo Bana.

Eles usam pernas de pau para ver o gado acima da grama alta e também para se protegerem de cobras.

Lembro-me da primeira vez que vi esses garotos parados no meio da rua; era inacreditável.

Seus bastões são enormes, fazendo com que ficassem com mais de três metros de altura.

Eles tinham muita energia e foram super amigáveis.

Até nos deixaram experimentar os bastões, e é muito mais difícil do que parece.

Pedimos para filmá-los ao pôr do sol, fomos para um local diferente e conseguimos algumas das imagens mais épicas deles caminhando pela estrada.

Aqueles jovens estavam radiantes.

Foi a maneira perfeita de encerrar nosso tempo na Etiópia.

Conclusão: Uma Aventura que Chama por Mais

Bem, este é o meu “top 10” da Etiópia, embora eu sinta que mal arranhei a superfície deste país tão rico.

Gostaria de ter tido mais tempo para conhecer outros lugares, então terei que voltar para uma “parte dois”.

Um agradecimento especial ao meu companheiro Ellis Van Jason, que compartilhou essa aventura comigo.

E também ao nosso guia, Nagasi, que tornou cada momento inesquecível e a viagem pela Etiópia verdadeiramente incrível.

Se você está planejando visitar a Etiópia, prepare-se para uma jornada que transcende o turismo e oferece uma imersão profunda em uma das culturas mais autênticas e paisagens mais espetaculares do mundo.

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