Desvende a Magia Inesquecível do Parque Nacional Bryce Canyon: Guia de Aventura em Utah

Tempo de leitura: 7 min

Escrito por Lucas Ventura
em março 27, 2025

Desvende a Magia Inesquecível do Parque Nacional Bryce Canyon: Guia de Aventura em Utah

A Magia Inesquecível de Bryce Canyon: Um Guia para sua Próxima Aventura no Utah

Em nossa mais recente jornada pelas paisagens deslumbrantes dos Estados Unidos, o Parque Nacional Bryce Canyon, em Utah, nos esperava com sua beleza única e formações rochosas surpreendentes.

Depois de explorar o Parque Nacional Arches e de uma emocionante parada em Monument Valley – o ponto exato onde Forrest Gump decidiu parar de correr –, seguimos para Bryce Canyon, prontos para novas descobertas.

Durante nossa passagem por Monument Valley, que, surpreendentemente, estava bem menos lotado do que esperávamos no final de setembro, tivemos a sorte de reencontrar nossos amigos Q e Bishop, uma dupla de Oregon que personifica o espírito “van life ou morra!”.

A viagem de Arches até lá levou cerca de duas horas e, apesar de ser um estado geralmente quente, as manhãs e noites eram frias, com temperaturas beirando os 0°C, aquecendo para agradáveis 20°C durante o dia.

Em Monument Valley, não resistimos e recriamos a icônica cena de Forrest Gump – um momento hilário que valeu a pena!

Nosso Primeiro Dia em Bryce Canyon: Trilhas e Camaradagem

Chegando a Bryce Canyon, a aventura começou com Q e Bishop. Antes de mergulharmos nas trilhas, observamos como eles organizam suas viagens.

Não é preciso uma van de cem mil dólares; eles adaptaram um 4Runner 2012 Limited Edition, provando que a simplicidade funciona.

Com Bishop medindo 1,95m e cabendo confortavelmente, o espaço é otimizado com armazenamento sob a cama, uma plataforma elevada e ainda mais espaço no teto. É uma prova de que a vida na estrada pode ser acessível e eficaz.

Nossa primeira trilha do dia foi a Navajo Loop combinada com a Queen’s Garden, um percurso de cerca de 5 km.

A vista do Sunset Point já era de tirar o fôlego, com as famosas curvas em ziguezague e pinheiros que nos fizeram sentir como se estivéssemos em uma mistura perfeita de Oregon e Utah.

O frio da noite e a presença dos pinheiros evocavam memórias de Mount Hood e da costa de Oregon, uma terra que nossos amigos tiveram que deixar devido a incêndios florestais.

Durante a trilha, um dos viajantes encontrou um pequeno recanto inusitado. “É aqui que vou dormir hoje à noite”, brincou, mostrando um espaço que servia como “banheiro” e “quarto”.

Enquanto isso, Bishop e Q tinham seu próprio “apartamento” ao lado, quase como uma sala de estar compartilhada.

A grandiosidade das árvores em contraste com os penhascos laranja nos deixou maravilhados. Não víamos árvores assim em Arches, e a beleza é simplesmente indescritível.

Aquela primeira caminhada foi um aquecimento, mas as subidas íngremes e a beleza do cânion foram incríveis.

Percebemos que, para evitar as multidões, o nascer do sol seria nosso melhor amigo.

Acampamento e um Incidente Inesperado

Nosso acampamento, a apenas 15 minutos do parque, era um local lindo. Desfrutamos de sanduíches vegetarianos com homus, enquanto Q e Bishop, que geralmente ficam ao nosso lado, sumiram misteriosamente.

Parques nacionais estão mais lotados do que nunca, e uma lição valiosa desta viagem é que as manhãs e noites são os melhores horários para fazer trilhas.

Nos preparamos para o dia seguinte, que prometia ser ainda mais frio, com temperaturas abaixo de 0°C às 6 da manhã.

É preciso coragem para enfrentar o frio e ter as trilhas só para si!

Voltando ao Sunset Point para o pôr do sol, a multidão diminuía, revelando a paisagem em toda a sua glória, que parecia saída de Petra, na Jordânia.

As escadarias de pedra e os desfiladeiros eram impressionantes.

No topo de uma trilha, conhecemos um artista local, um rapaz que estava desenhando.

Suas obras, todas feitas à mão, capturavam a essência do pôr do sol em Bryce Canyon.

Era inspirador ver alguém tão talentoso capturando a beleza do parque.

Bryce Canyon oferece vistas espetaculares mesmo para quem não é um grande trilheiro.

Basta caminhar até a borda e desfrutar do pôr do sol ou da paisagem, sem esforço.

É impossível errar aqui; a beleza é absoluta.

Após um sorvete com os amigos, retornamos ao acampamento para uma surpresa desagradável.

Costumávamos deixar nossas cadeiras e mesa montadas, e até mesmo a barraca às vezes. Felizmente, não deixamos a barraca, mas tudo o mais havia sido roubado. Foi um baque.

Embora minha cadeira custasse apenas cinco dólares na Walmart, o incômodo de não ter onde sentar foi grande, e as cadeiras de Bishop e Q também haviam sido levadas.

Éramos nós que lhes demos a dica de que era seguro deixar as coisas no acampamento!

No entanto, nosso cafeteiro estava a salvo, pois brincamos que ele seria roubado, e o guardamos no carro. Pelo menos o café da manhã estava garantido!

Segundo Dia: Hoodoos, Desafios e Reflexões Profundas

Na manhã seguinte, assistimos ao nascer do sol, envoltos no frio de 2°C. Apesar do clima, a beleza da aurora era um espetáculo.

Q, em seu poncho, estava pronto para mais um dia de exploração.

Então, Q nos revelou um desafio pessoal: ele estava tentando superar a quilometragem percorrida por seu irmão em uma viagem de 30 dias na faculdade.

Em 22 dias, Bishop ainda não havia dirigido!

Nos dirigimos à trilha Peekaboo Loop, um percurso de 8 km que prometia ser mais uma aventura inesquecível.

Aprendemos uma palavra nova em Bryce Canyon: Hoodoos. São aquelas formações rochosas em forma de pináculo que dominam a paisagem.

A palavra “hoodoo” também significa “confundir, encantar”, e é exatamente isso que elas fazem: surpreendem e encantam.

Um dos viajantes recordou uma visita a Bryce Canyon quando criança, aos três ou quatro anos, com sua família – seu pai e irmão.

Eles cavalgaram pela trilha dos cavalos, e ainda hoje é possível ver as pegadas dos cascos, sugerindo que a atividade continua.

Seria uma experiência fantástica para famílias com crianças.

É crucial usar sapatos de caminhada, especialmente nesta trilha empoeirada.

Nós, os viajantes, somos grandes defensores de botas ou sapatos de trekking em road trips, pois já vimos pessoas escorregarem e caírem. Caminhar sem o calçado adequado é uma experiência horrível.

Depois da caminhada, descobrimos que havia chuveiros no Parque Nacional Bryce Canyon! Q e Bishop os encontraram.

Por três dólares, você tinha oito minutos de água quente. Um dos viajantes, em seu entusiasmo, usou seis dólares!

Para finalizar o dia, fomos ao “I Don’t Know BBQ”, considerado o melhor churrasco de Utah.

Deliciamos-nos com peito bovino defumado, feijão assado com jalapeños e picles. Era uma refeição de dar água na boca!

Ali nos despedimos de Q e Bishop, que seguiram seus próprios caminhos com a sábia recomendação: “Largue seu emprego e viaje!”.

A Trilha da Mossy Cave e um Encontro Transformador

Nossa próxima parada foi a trilha da Mossy Cave, um percurso de apenas 1,6 km ida e volta que nos levaria a uma cachoeira.

A grande vantagem é que ela não fica dentro do parque nacional, o que significa menos multidões e, para quem não tem passe anual, entrada gratuita.

No caminho, encontramos Dana, que tinha um veículo igual ao nosso (um Transit Connect) e tocava uma flauta nativo-americana. Sua música era lindíssima.

Ele nos explicou que a flauta, em tom de F#, é um instrumento muito espiritual, que leva a música e a energia para as árvores e animais. Sua melodia nos tocou profundamente.

A conversa com Dana foi verdadeiramente transformadora. Ele nos fez chorar ao falar sobre a importância de acordar todos os dias com gratidão e um sorriso, independentemente das circunstâncias.

Ele compartilhou sua própria história: prestes a se aposentar com sua esposa após mais de 30 anos juntos, ela faleceu antes que pudessem realizar os planos de viagem que tanto acalentavam.

Sua partida o ensinou a valorizar cada momento. Um dos viajantes, que havia perdido seu melhor amigo naquele ano, se identificou profundamente com as palavras de Dana sobre como ainda conversar com quem partiu.

Ele nos deu uma lição valiosa sobre a vida e os relacionamentos, enfatizando que, apesar das brigas e desentendimentos, é preciso sempre ter discussões francas e nunca ir para a cama com raiva.

A vida é curta demais para dar qualquer coisa como garantida.

Aquele encontro foi um dos mais emocionantes e significativos de toda a viagem, e Dana até presenteou um dos viajantes com uma flauta!

É por momentos assim que vale a pena viajar.

Não resistimos e voltamos ao “I Don’t Know BBQ” para mais uma dose de seu churrasco excepcional.

Emily e Kevin, os proprietários, são pessoas maravilhosas, e o lugar tem aquele charme clássico de um restaurante familiar. Foi a maneira perfeita de encerrar nossa aventura em Bryce Canyon.

Nossa coleção de adesivos de viagem continua crescendo, e esperamos que nossa van nos leve a muitas outras jornadas.

Se esta história te inspirou, vá em frente e planeje sua própria aventura!

Em breve, nossa jornada continuará rumo ao Parque Nacional Zion, onde enfrentaremos a temida Angel’s Landing, considerada uma das trilhas mais assustadoras da América, ou as águas desafiadoras de The Narrows.

O Utah ainda nos reserva muitas emoções!

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