Petra: Uma Jornada Inesquecível Pela Cidade Perdida na Jordânia
Bem-vindo a Petra, uma das mais impressionantes cidades antigas do mundo! Sim, você provavelmente já viu fotos do famoso Tesouro, mas esta Maravilha do Mundo é muito mais do que isso.
Surpreendentemente, seu tamanho equivale a 50.000 campos de futebol e ela já apareceu em inúmeros blockbusters de Hollywood, como “Indiana Jones” e “Transformers”.
Repleta de mais de mil tumbas, cânions de fenda intermináveis e uma cidade inteira esculpida na pedra, é fácil entender por que milhões de pessoas a visitam todos os anos.
Explorar Petra, na Jordânia, é uma experiência alucinante. A temperatura era bastante fria, cerca de 2°C (36°F).
Não havíamos trazido casacos de inverno, então foi preciso usar várias camadas de roupa para suportar o clima e ainda conseguir boas fotos. Nosso percurso começaria por um pequeno cânion que leva à abertura do Tesouro.
O Siq, ou cânion de fenda, é uma formação impressionante, lembrando os que se veem no Antelope Canyon, em Utah.
Criado pela ação do vento e da chuva ao longo de milhares de anos, é um caminho sinuoso que serpenteia por entre as rochas.
Dicas Essenciais para sua Visita
Antes mesmo de desembarcar na Jordânia, certifique-se de adquirir o Jordan Pass. Ele cobre o visto de entrada e garante o acesso a Petra e a muitos outros sítios históricos por toda a Jordânia.
Nosso passe, por exemplo, custou 75 JOD por pessoa e dava direito a duas entradas em Petra. Descobrimos, porém, que o Jordan Pass já incluía o visto, um detalhe que nos custou caro, pois pagamos pelo visto na chegada – um valor de 40 JOD.
A dica de ouro é: adquira o Jordan Pass antes de viajar, pois ele não está disponível para compra no aeroporto.
Mesmo com o Jordan Pass, ainda é necessário esperar na fila da bilheteria, que só abre às 6h30 da manhã, enquanto Petra abre suas portas às 6h.
Chegamos cedo, imaginando que entraríamos direto, mas tivemos que esperar 30 minutos. A boa notícia é que, com o passe de dois dias, em visitas futuras é possível entrar direto às seis.
É um daqueles lugares que você vê um milhão de vezes na internet e, ainda assim, te deixa maravilhado ao vivo.
Desvendando a História de Petra
Para quem ainda não conhece, Petra é uma das cidades mais antigas do mundo, datando de 400 a.C.
Ela é conhecida como a “Cidade Rosa” devido à cor das rochas e também como a “Cidade Perdida” por ter permanecido escondida por um longo tempo antes de ser redescoberta.
O Tesouro, surpreendentemente, representa um calendário. É possível observar 12 pilares que simbolizam os 12 meses do ano.
Na borda, há sete taças de vinho, indicando os sete dias da semana, e 31 flores, representando os dias de um mês.
Ao chegar em Petra, encontrará moradores locais que tentarão oferecer tours, por vezes questionáveis, até mirantes. É preciso ter cautela, especialmente se estiver com a família ou crianças.
Fomos levados por um guia local para um mirante com uma vista privilegiada. Talvez exploraríamos outro mirante no dia seguinte, logo cedo.
Brindamos a Petra. O frio era intenso. Conhecemos Gassan, um beduíno que preparava chá ali e me ofereceu seu casaco beduíno, um gesto de calor inestimável.
A peça era tão prática que pensei em como seria útil para trocar de roupa facilmente. De um mirante épico, com tapetes para fotos, a dica é sempre dar uma gorjeta.
No entanto, fomos cobrados 10 JOD por pessoa, totalizando cerca de 29 JOD por uma caminhada de meros cinco minutos, o que consideramos um absurdo.
A lição é: sempre negocie o preço, não aceite a primeira oferta. Nas trilhas mais fáceis, é aconselhável não tentar subir sozinho, pois os locais podem reagir de forma intensa.
Tivemos uma experiência onde tentaram nos impedir de registrar certos momentos, mas a verdade precisa ser dita.
Esta cidade perdida pertenceu aos Nabateus. Os Gregos tentaram conquistá-la, mas a formação dos cânions estreitos oferecia uma defesa natural excelente.
Somente com a chegada dos Romanos, a cidade foi tomada.
Os Nabateus empregaram um método singular para esculpir edifícios como o Tesouro: de cima para baixo. Eles primeiro escalavam até o topo de um penhasco para cortar uma saliência estreita.
Em seguida, usando brocas ancestrais, fixavam pinos abaixo da saliência e estendiam pranchas para iniciar a escultura.
Na metade do caminho, a quantidade de detritos de arenito já formava uma rampa natural, facilitando a conclusão do trabalho.
Petra em Março e o Desafio da Água
Encontramos o sol, mas as mãos permaneceram dormentes por um bom tempo. Era final de março, então, se planejar sua visita para essa época, prepare-se com muitas roupas quentes.
No Egito, ventava muito, mas na Jordânia, para nossa sorte, não havia vento.
Tivemos que nos afastar um pouco; os vendedores são bastante persistentes. Entendo que precisam ganhar a vida, mas a abordagem é constante.
Por isso, a tranquilidade dos caminhos mais estreitos, onde ninguém nos incomodava, era um alívio para desfrutar do momento.
A Jordânia, em geral, é um dos países mais escassos em água no mundo. Obter água em um lugar como este, um deserto, é quase impossível.
Por isso, a capacidade dos Nabateus de cultivar plantações e prosperar no passado é impressionante. O sistema hídrico de Petra sustentava mais de 30.000 nabateus que chamavam este lugar de lar.
Ele era composto por 36 barragens, protegendo a cidade de inundações repentinas, 100 reservatórios para coletar e armazenar água da chuva, e 201 quilômetros (125 milhas) de tubulações conectando todas essas estruturas.
Era tão bem-feito que possuíam até uma piscina pública de 42,6 metros (140 pés) nos jardins reais.
Gregos, Romanos, Sírios, Egípcios e migrantes de toda a região vinham aqui para desfrutar do que os Persas chamavam de “paraíso”, um lugar considerado o céu na terra.
O Monastério e a Responsabilidade no Turismo
A caminhada do Tesouro até o Monastério já é impressionante, mesmo nos primeiros passos. É fundamental abordar um tema importante: o uso de animais para transporte turístico.
Como já ressaltamos em outras ocasiões, a prática tem um lado sombrio. Antigamente, jumentos, cavalos e camelos eram essenciais para a vida cotidiana.
Hoje, no turismo, muitos são explorados o dia todo e sofrem abusos. Aconselhamos a não montar em animais em nenhum país.
Em muitos casos ao redor do mundo, você também estará incentivando o trabalho infantil. Em Petra, crianças e jumentos insistentemente pediam por passeios.
Infelizmente, presenciamos crianças abusando dos animais ainda mais cruelmente que os adultos. Não monte em elefantes na Tailândia, nem em camelos no Egito. Eles são maltratados.
É uma questão ética: simplesmente não faça.
Há um ponto especial, onde a tranquilidade reina, sem a multidão. Ao caminhar em direção ao Monastério, basta virar-se e contemplar as muitas tumbas para entender do que se trata.
Após 15 minutos na subida de escadas, a sensação era de um bom desafio físico.
Chegamos ao Monastério após cerca de uma hora e dez minutos de subida por escadarias imponentes. Ali, pudemos nos sentar, desfrutar de um suco de laranja e admirar a vista espetacular.
Era um momento de relaxamento e contemplação. Comida local, como húmus e pães pita, era a recompensa perfeita.
A principal diferença entre o Monastério e o Tesouro, além de seus propósitos, é que o primeiro é muito maior, mas com menos detalhes. O Tesouro possui entalhes mais elaborados.
Perto do Monastério, há muitos mirantes diferentes, e a vastidão desses desertos é incrível. Consigo imaginar por que os Gregos não conseguiram conquistá-la; teria sido muito difícil atravessar esses cânions lutando contra os Nabateus.
Há muitas trilhas para fazer trekking, e vimos pessoas com seus bastões de caminhada. É um lugar realmente aventureiro, não apenas um ponto para fotos, algo que nos encantou.
Dicas Finais e Sabores Locais
Para quem planeja visitar Petra, algumas dicas são valiosas: organize seu tempo, pois é uma atividade que pode ocupar o dia inteiro, a menos que você se limite a um único local.
Muitos visitantes preferem começar pelo lado do Monastério e descer em direção ao Tesouro, evitando a cansativa subida de escadas. No nosso caso, fizemos o percurso de ida e volta, o que demandou mais tempo e esforço.
Às 13h, depois de caminhar desde as 5h da manhã, a exaustão era real. Fico feliz por termos ido nessa época, pois o calor teria tornado a jornada insuportável, apesar do frio matinal.
Após a longa caminhada, nada melhor do que experimentar a culinária local. Em Wadi Musa, a cidade onde Petra está localizada, o Mr. Falafel se destacou como um excelente local para a gastronomia do Oriente Médio.
Com raízes libanesas na família, a culinária do Oriente Médio sempre foi uma de nossas favoritas. Crescemos apreciando esses sabores.
A mesa estava repleta de delícias: húmus, falafel (já conhecido por muitos) e mutabal, uma versão mais rica do baba ghanoush, com iogurte.
Este último, com seu sabor complexo, rapidamente se tornou um favorito, despertando o paladar com uma explosão de sabores frescos.
A cidade exala uma atmosfera única. O sol se põe sobre montanhas incrivelmente imponentes, e a cidade parece abraçá-lo. Definitivamente, superou as expectativas.
No dia seguinte, levantamos cedo e entramos em Petra às 6h da manhã. A experiência era selvagem, até um pouco assustadora, mas a trilha era incrivelmente divertida.
Aquele penhasco, na verdade, era bem difícil de escalar. Lá embaixo, víamos a multidão no Tesouro, enquanto nós subíamos por aquele cânion estreito, escalando cada vez mais alto.
De lá de cima, a vista do Tesouro era espetacular. Nesse ponto, percebemos o valor de ter um guia, especialmente um local.
A escalada da montanha, com seus caminhos complexos, teria sido quase impossível sem a experiência de quem conhece cada passo e oferece ajuda.
Apesar da beleza, a experiência de Petra, especialmente as cavernas, talvez não teria sido tão “chocante” se já não tivéssemos visitado a Capadócia e suas formações rochosas.
O interessante das cavernas nas montanhas é que elas mantêm uma temperatura agradável, sem extremos de frio ou calor.
Na Capadócia, por exemplo, é possível ter a experiência única de passar a noite em uma caverna, algo realmente incrível.
Petra é uma jornada que marca a alma, uma cidade que sussurra histórias milenares em cada rocha e cada entalhe. Sua visita à Jordânia não estaria completa sem mergulhar na majestade desta joia nabateia.


