Roma: O Guia Definitivo para uma Viagem Inesquecível e Sem Erros
Roma é como nenhum outro lugar na Terra. Uma cidade milenar, que já foi capital do maior império do mundo e hoje abriga maravilhas, obras-primas de Michelangelo e edifícios antigos de tirar o fôlego.
Além disso, oferece a culinária mais deliciosa que existe. Ah, e o Papa mora logo ali, no menor país do mundo, então é bom se comportar!
Infelizmente, muitos dizem que Roma é superestimada e lotada, mas eles simplesmente não souberam vivê-la.
Por isso, preparamos este guia completo com dicas essenciais e “segredos” locais para tornar sua estadia verdadeiramente inesquecível.
Começando Pelo Paladar: Um Tour Gastronômico por Roma
Não há maneira melhor de iniciar sua jornada romana do que com um tour gastronômico.
Encontramos nossa guia, Elizabeth, na famosa Piazza Campo de’ Fiori. Durante o dia, a praça é um mercado vibrante de frutas, vegetais e flores.
Após o pôr do sol, ela se transforma em um dos melhores pontos de encontro da cidade. Na Itália, comer é um prazer, e foi exatamente o que fizemos!
Começamos com uma degustação de salames, alguns temperados com trufas, acompanhados de queijo pecorino – um clássico do centro da Itália, feito com leite de ovelha, diferente do parmigiano do norte.
Saboreamos tudo isso com um vinho tinto refrescante, servido gelado para não sobrepor o sabor dos embutidos. Elizabeth chamava aquele lugar de “paraíso dos salames”, um estabelecimento tradicional desde 1890.
E você sabia que Roma tem mais de 2.000 fontes de água potável espalhadas pela cidade? É como beber como um verdadeiro romano!
Nossa próxima parada foi na Roscioli, uma padaria que serve pizza romana: crocante e fininha, vendida por peso.
Provamos a famosa pizza Margherita, cuja história remonta à visita da Rainha Margherita a Nápoles, onde um chef criou uma pizza com as cores da bandeira italiana: manjericão verde, muçarela branca e molho de tomate vermelho.
Na Itália, é comum acompanhar pizza com cerveja e massa com vinho. Experimentamos uma cerveja italiana popular, difícil de encontrar, mas muito apreciada.
Em seguida, foi a vez do supplì, um bolinho de arroz frito com molho de tomate e muçarela. Que delícia!
No Bairro Judeu, provamos o carciofo alla giudia, a alcachofra frita duas vezes, uma iguaria que cria um efeito de “girassol”. Crocante e saborosa, é tão boa que até crianças, que geralmente não comem vegetais, adoram!
Curiosamente, o sabor remete a um doce de feira, mas a alcachofra não contém açúcar. É o ferro presente nela que, ao interagir com a água, cria um sabor adocicado.
Este tour foi, sem dúvida, a melhor forma de começar a viagem. Elizabeth, nossa guia, é apaixonada pelo que faz e tem um conhecimento incrível.
Para finalizar, nada melhor do que um delicioso gelato, a maneira perfeita de encerrar o dia.
Maravilhas Eternas: Fontana di Trevi e Coliseu
No dia seguinte, era hora de visitar a Fontana di Trevi, a fonte mais famosa do mundo.
A água que flui até hoje vem de um dos mais antigos aquedutos romanos, criado há mais de 2.000 anos.
A lenda diz que, jogando uma moeda com a mão direita por cima do ombro esquerdo, você pode fazer três desejos: o primeiro, um retorno seguro a Roma; o segundo, encontrar o amor; e o terceiro, um casamento.
Milhares de euros são jogados na fonte diariamente e, ao final do dia, o dinheiro é recolhido e doado a instituições de caridade. Ou seja, além de admirar a beleza do local, você ainda faz uma boa ação!
Em seguida, visitamos o Coliseu, uma nova Maravilha do Mundo e o pai de todos os estádios modernos. É difícil compreender a escala de horror que aconteceu ali.
Construído em apenas oito anos, este anfiteatro era palco de espetáculos brutais, onde 60.000 pessoas celebravam a morte.
Durante cerca de 400 anos de violência, mais de 400.000 gladiadores e 1 milhão de animais foram mortos.
Nosso tour com a incrível guia Catalina nos levou pelo Fórum Romano, Palatino e o Coliseu, desvendando como os romanos viviam e sua mentalidade.
Aprendemos sobre a importância das oliveiras na Roma Antiga: o azeite era usado para cozinhar, como combustível para lamparinas, para cuidar da pele e do cabelo, e até por atletas para massagear os músculos.
É impressionante pensar que tudo começou com uma pequena aldeia de pastores e se tornou o vasto Império Romano.
A lenda conta que os irmãos gêmeos Rômulo e Remo, abandonados no rio Tibre, foram resgatados por uma loba. Eles derrotaram o rei que os abandonou e fundaram Roma em 753 a.C., com Rômulo matando Remo e se tornando o primeiro rei.
Uma parte especial do tour foi o nível subterrâneo do Coliseu. Acima de nós ficava o palco onde os gladiadores lutavam.
Turistas só foram autorizados a visitar essa área a partir de 2021, então fomos um dos primeiros a explorar este local.
Escravos trabalhavam ali, no escuro, sujo e fétido, ouvindo as mortes acima e limpando-as após os eventos.
Eles operavam um elevador que levava animais e gladiadores até o chão da arena, sempre uma surpresa para a multidão.
A construção do Coliseu começou em 72 d.C. com o imperador Vespasiano, mas foi seu filho Tito quem a concluiu, organizando 100 dias de jogos inaugurais.
Chegaram a encenar batalhas navais, enchendo o Coliseu de água e colocando gladiadores em barcos! Os canos de drenagem, parte dos aquedutos, ainda são visíveis.
Embora lotados, esses lugares são, sem dúvida, maravilhas do mundo, e com um bom guia, a experiência é transformadora.
Gladiadores não eram apenas guerreiros; eram escravos comprados e treinados em escolas especializadas por até três anos.
Se fossem bons o suficiente, poderiam ganhar a liberdade pelo amor do povo, tornando-se estrelas. A multidão podia gritar “Mitte” (deixe-o ir) para poupar um gladiador ou “Jugula” (degole) para pedir sua morte.
O Coliseu tinha assentos de mármore e, para proteger o público do sol, marinheiros operavam grandes velas no topo, girando-as conforme a posição solar.
A propósito, a guia Catalina nos contou que seu lugar favorito em Roma é o Panteão, que para ela representa a perfeição e é o templo mais bem preservado do mundo.
Catalina é apaixonada e muito experiente, uma guia que fará sua visita valer a pena.
Mãos na Massa: Culinária Romana em Trastevere
Em seguida, exploramos o charmoso bairro de Trastevere, famoso por suas ruas estreitas de paralelepípedos e edifícios coloridos, às margens do rio Tibre.
Ali, tivemos uma aula de culinária, começando com supplì e vinho. Aprendemos a fazer massa fresca: farinha, um ovo, um fio de azeite.
A chave é sovar bastante, quanto mais, melhor. Ela deve ficar firme, lisa e, ao pressionar com o polegar, deve subir.
Enquanto o molho de guanciale e pecorino cozinhava (os mesmos ingredientes que vimos no tour gastronômico!), passamos a massa pela máquina e depois a cortamos no “guitarra”, moldando-a em pequenos ninhos.
O vinho parecia nos deixar mais talentosos! E um conselho importante: ao contrário da crença popular, jogar a massa na parede e ela grudar significa que está cozida demais para os romanos.
Ela deve ser al dente. O resultado? A melhor massa que provamos na Itália. Finalizamos com um delicioso sorvete.
Esta aula de culinária é imperdível, não só pela comida e pelo aprendizado, mas também pelas excelentes recomendações que o chef pode dar. Faça no início da sua viagem!
Entre Desafios e Descobertas: Vaticano e Outros Tesouros
Uma lição inesperada surgiu: as regras de entrada na Europa haviam mudado para não vacinados ou sem dose de reforço dentro de 270 dias.
No Vaticano, a regra era clara: teste negativo para COVID, comprovante de reforço ou recuperação recente. Infelizmente, no primeiro dia, fomos barrados.
Mas não desistimos! Um gelato diário, um ritual romano, nos deu energia.
Alugamos uma scooter, uma forma incrível de explorar a cidade por cerca de 50 a 60 euros.
Nos levou a lugares como a Pirâmide de Céstio, um vestígio antigo bem preservado, que demonstra a influência egípcia no Império Romano.
Embora pequena comparada às do Egito, é a única pirâmide na Europa e é fascinante.
As Escadarias da Praça da Espanha, imortalizadas no filme ‘A Princesa e o Plebeu’, são cercadas por lojas de grife.
É uma área chique, perfeita para tomar um espresso. A melhor época para visitar é entre abril e maio, quando as flores estão desabrochando, deixando o local ainda mais bonito.
Finalmente, chegou o dia de visitar o Panteão. Um antigo templo pagão convertido em igreja, com a maior cúpula não suportada do mundo.
Muitos se perguntam o que acontece quando chove, já que há um grande buraco no topo.
Roma é uma cidade vibrante e às vezes caótica, com muitos turistas, grafites e, sim, algum lixo. Mas isso faz parte do seu charme.
Ainda em culinária, aprendemos que é tradição comer nhoque às quintas-feiras, pois era o dia em que as batatas chegavam ao mercado, e a sexta-feira era um dia sem carne para os católicos.
Comer em restaurantes com menus em italiano é uma experiência autêntica, e sempre há alguém prestativo para ajudar. Uma dica: ‘Sì’ significa sim, e ‘Prego’ é ‘de nada’.
Nosso bairro preferido para jantar e passear foi Monti, um local mais tranquilo, menos turístico e encantador, com seus edifícios coloridos em tons de rosa, amarelo e laranja, e persianas de cores variadas.
O Legado da Fé: Museus do Vaticano e Basílica de São Pedro
Com um teste COVID em mãos, finalmente pudemos visitar o Vaticano com nossa guia Michaela, uma romana com 15 a 20 anos de experiência.
Ela nos guiou pelas Galerias dos Museus do Vaticano, que levam à Capela Sistina, e de lá para a Basílica de São Pedro.
Os museus abrigam uma das maiores coleções de arte do mundo. Mesmo que você não seja um entusiasta de história, religião ou arte, este lugar o deixará sem palavras.
Uma curiosidade: inicialmente, muitas estátuas eram nuas. Mas um Papa mais conservador, Paulo IV, ordenou que os genitais fossem removidos.
Mais tarde, uma solução mais “elegante” foi adotada: folhas de metal para cobrir as partes íntimas.
Vimos tapeçarias que levavam mais tempo para serem feitas do que a pintura do teto da Capela Sistina por Michelangelo – cerca de quatro a cinco anos!
Elas eram tão intrincadas que, pasmem, muitas vezes eram feitas por crianças, que tinham mãos menores e visão melhor.
Essas tapeçarias não só adornavam as paredes, mas também ajudavam a manter o ambiente aquecido, absorver a umidade e melhorar a acústica.
Dentro da Capela Sistina, fotos e vídeos são proibidos, pois é a capela privada de Sua Santidade, e somos convidados ali.
Apesar da chuva e do frio do dia, grande parte do tour no Vaticano é indoor, então não se preocupe com o clima. Apenas leve um guarda-chuva para a fila na Praça de São Pedro.
A experiência de ver de perto a Basílica, construída sobre o túmulo de São Pedro, a quem Jesus Cristo chamou de “a rocha” sobre a qual sua Igreja seria erguida, é grandiosa.
No final, subimos ao topo da cúpula. Pagamos 10 euros para pular alguns dos 500 degraus e chegar aos 300 restantes.
A vista lá de cima é épica, uma verdadeira aventura e, sem dúvida, um dos pontos altos de Roma (ou tecnicamente do Vaticano!).
Uma Despedida com Gostinho de Quero Mais
Antes de partir, não poderíamos deixar de revisitar nosso restaurante favorito: Valentino, próximo ao nosso alojamento.
Um lugar tão bom que acabamos perdendo nosso trem para a Costa Amalfitana! É repleto de locais à noite, então reserve ou vá durante o dia.
A comida é tão deliciosa que eu perderia outro trem para voltar lá.
Roma é uma cidade de contrastes, história e paixão.
Com estas dicas, sua viagem será, sem dúvida, inesquecível. Prepare-se para se apaixonar pela Cidade Eterna!


