Desvendando a Suíça: Nossa Primeira Noite Inesquecível em uma Cabana de Montanha nos Alpes!
Estamos há 30 dias desbravando a Suíça em uma viagem de carro e, finalmente, embarcamos em uma aventura inédita: uma trilha até uma cabana de montanha para pernoitar e seguir explorando no dia seguinte.
Prepare-se para descobrir como é dormir nas alturas, em meio a picos suíços!
A Chegada na Região de Appenzell e os Preparativos
Nossa jornada começa na charmosa região de Appenzell, a cerca de uma hora e meia de carro de Zurique. É um lugar acessível também de trem, mas a liberdade do carro nos permitiu uma exploração mais profunda.
Estávamos arrumando nossas mochilas para a pernoite – mal podia acreditar que iríamos ficar em uma cabana de montanha. Era minha primeira vez, e ouvi dizer que as da Suíça são incríveis!
O clima prometia ser espetacular nos próximos dias. Depois de deixar tudo pronto em nossa van – garantindo que a eletricidade estivesse desligada e tudo organizado para nossa noite fora – partimos.
Em nossas mochilas, apenas o essencial: meu equipamento de câmera, uma muda de roupa (não há chuveiro lá em cima!), e meu parceiro com muitos lanches e mais roupas.
O Dilema do Aescher e a Beleza no Caminho
A caminho da gôndola em Ebenalp, passamos por uma oportunidade tentadora: a mais antiga pousada da Suíça, chamada Aescher. Ela já foi eleita um dos lugares mais bonitos do mundo pela National Geographic.
Mas, infelizmente, estava a 20 minutos na direção oposta – ou seja, 40 minutos a mais no total. Para conseguir jantar e apreciar o pôr do sol na cabana, não tínhamos tempo. É assim mesmo, não dá para fazer tudo!
A beleza da região é imediata. Em menos de cinco minutos após sair da gôndola, já avistávamos o Lago Seealpsee, que visitaríamos na manhã seguinte, e as cristas majestosas das montanhas.
Este foi, sem dúvida, o dia mais claro que tivemos até agora na Suíça.
Enquanto subíamos, a vida selvagem nos cumprimentava: vacas com seus sinos clássicos e até cabras com barba. Sim, cabras com barba!
Foi a primeira vez que as vi e me peguei pensando se é daí que vem o termo “goatee” (cavanhaque). As paisagens eram, sem dúvida, incríveis.
Dicas Importantes para a Trilha e o Pôr do Sol
Em um dia ensolarado como este, o protetor solar é indispensável. Notamos que muitas pessoas estavam descendo, pois a última gôndola retorna às 19h.
Quem não fica em uma cabana como nós, precisa ficar atento ao horário.
Nós escolhemos a Schäfler Hut, considerada uma das melhores, mas há também a Ebenalp Hut, bem na saída da gôndola.
Especialmente nos finais de semana, as reservas são concorridas – nós conseguimos a nossa por pouco!
Chegada e Alojamento na Schäfler Hut
Ao chegarmos à Schäfler Hut, o primeiro passo no check-in é tirar os sapatos e calçar pantufas, um costume local.
Fomos informados sobre os horários: café da manhã das 7h15 às 9h, jantar até as 19h e check-out às 8h, com pagamento na noite anterior.
Como reservamos de última hora e em uma sexta-feira, não conseguimos um quarto privativo. Fiquei em um dormitório para dez pessoas – sendo o mais jovem da família, sempre tive o beliche de cima, então foi perfeito!
Meu parceiro, por sua vez, conseguiu um quarto individual. No fim das contas, ele dormiu no quarto comigo.
A vista do nosso alojamento era espetacular, com o Lago Seealpsee ao fundo e as pessoas jantando lá embaixo.
Falando em jantar, a cerveja! As cervejas de Appenzell, que encontrávamos em todos os acampamentos, eram as melhores da viagem. As embalagens, com cenas de fazendeiros e montanhas, eram um show à parte.
Brindamos à nossa conquista, afinal, a trilha da gôndola até a cabana levou cerca de uma hora e vinte minutos no máximo, com algumas subidas e descidas. Estávamos exaustos, mas felizes por termos um bom descanso antes da longa caminhada do dia seguinte.
Jantar com Vista e a Magia do Pôr do Sol
No jantar, experimentamos pratos locais. Pedi um famoso prato de macarrão que eles têm por aqui, enquanto meu parceiro optou pelo Rösti, uma batata achatada com ovos fritos por cima.
Se vier para cá, peça o Rösti – é delicioso, muito queijoso e uma experiência autêntica!
Depois do jantar, fomos apreciar o pôr do sol. Pela primeira vez, tivemos a oportunidade de ver o sol se pôr durante uma trilha.
A paisagem, que no dia seguinte caminharíamos para descer até o lago, ganhava tons rosados incríveis.
Encontramos outros trilheiros, como Axel, um alemão que vive na Suíça há 10 anos. Ele nos disse que o melhor da Suíça é a natureza e a cerveja local.
Ele desceu a trilha no escuro – uma aventura de 1h30 a 2h que nos fez valorizar ainda mais nossa pernoite na cabana.
A Noite na Cabana e a Manhã Seguinte
Dormir com o casaco foi uma necessidade, pois a cabana era um pouco fria. As paredes são finas, então era preciso cochichar para não incomodar os outros.
E, sim, sem tomadas! Levei todos os meus carregadores, mas em uma cabana de montanha, o foco é a desconexão.
Pela manhã, o café da manhã estava incluso: capuccino, torrada, queijo e iogurte. Meu sono foi um pouco barulhento e rangente, e a cama era feita para pessoas com menos de 1,78m, então não foi a noite mais confortável.
Mas é uma cabana, certo? As mantas penduradas nas janelas para arejar após a limpeza eram um charme. Nada que um bom café não resolvesse! Duas xícaras de capuccino e eu estava pronto para a trilha.
A Descida até o Lago Seealpsee
A trilha de volta é toda em descida, o que exige bastante dos joelhos. Nestes momentos, lamentei não ter meus bastões de trekking.
Quando éramos mais jovens, por volta dos 23 anos, costumávamos brincar com quem usava bastões, mas a idade chega, e os joelhos começam a reclamar!
As flores silvestres nos acompanharam por todo o caminho – elas são uma atração à parte em cada trilha na Suíça, em todas as cores e variedades.
Em um momento, nos perdemos e subimos uma colina desnecessária. A dica é: siga as placas para o Restaurante Mesmer, se quiser ir para o lago.
A parte mais desafiadora da trilha foi o cascalho solto e as pedras, que causavam alguns escorregões.
Parada Estratégica na Mesmer Hut
Chegamos à Mesmer Hut, e embora tivéssemos pensado em ir direto para o lago, fico feliz por termos parado.
A vista dali é linda, e aproveitamos para uma cerveja e uma Bratwurst – minha primeira na Suíça!
A Bratwurst suíça tem uma textura diferente, mais macia que as que encontramos em outros lugares, mas o sabor é incrível. Uma boa refeição e a felicidade se instala!
A trilha continuou com muitas curvas em zigue-zague e mais animais: cabras à esquerda, em um “parquinho” natural.
Uma delas estava comendo o telhado de um abrigo, o que me lembrou meu cachorro.
A parada na Mesmer Hut realmente valeu a pena. A rota até o lago é deslumbrante, com campos de flores levando a burros, inclusive um malhado – algo que nunca tinha visto!
Também avistamos uma Ford Transit, que me trouxe lembranças da nossa primeira van, que construímos para viajar pelos Estados Unidos. Aquela van impulsionou nossa jornada de viagem, mas não conseguiria morar nela novamente!
O Final da Jornada no Lago Seealpsee
Chegamos ao Lago Seealpsee após cinco horas de trilha, com algumas confusões e desvios acidentais. O debate era se iríamos nadar ou não.
O lago é cristalino, e havia muitas pessoas relaxando e tomando sol. De lá, calculamos mais uma hora até nosso carro.
A parte final da volta do lago foi mais difícil do que pensávamos. A exaustão bateu, mas a sensação de dever cumprido era imensa.
Percorremos cerca de 14 quilômetros naquele dia. De volta à van, o sentimento era de uma grande realização.
Essa experiência em uma cabana de montanha na Suíça foi verdadeiramente única. Um misto de desafio físico, contato com a natureza e paisagens de tirar o fôlego.
Uma aventura que todo viajante deveria considerar!


